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Mais o encerrar de um ciclo. Despedi-me da maioria dos alunos e pais. Recebi miminhos, entreguei trabalho, beijinhos e abraços.

Se por um lado é uma sensação boa esta de estar quase a finalizar o ano, as reuniões, os documentos, arrumações e detalhes, por outro é agora que começo a antecipar a diferença que irá ocorrer na minha vida de hoje a um mês.

Começa a contagem decrescente!


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Tenho viagem marcada. Estou pronta para fazer as malas. Vou para a Índia. Via Istanbul, passando pelo Reino Unido antes. O que falta ainda? Tudo o resto. E aprender a andar de mota.

Life is good :)


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A viagem chegou ao fim. Passaram 43 dias desde o inicio efectivo e vários meses desde a preparação. Ainda acordo sem a certeza de ter vivido estas semanas. Sem saber se as imagens que guardo são memórias  ou ainda expectativas. A certeza vem apenas com a dificuldade permanente em escrever com acentos e cedilhas e pelos espaços mentais preenchidos de forma muito clara, sem receios. Umas irão desvanecer-se, outras perdurarão e crescerão comigo, à medida que as rasteiras do tempo alterarem os acontecimentos.

Ao tentar pensar nos pontos altos, surge-me uma imensa lista. Não deixam de ter sido excelentes por terem sido muitas vivências. Aliás, no fim de cada dia a sensação sobre o que se passou nas horas precedentes era sempre a de um período de tempo mais longo. Em 24 horas vivíamos uma semana. Com a curiosidade, a vontade de absorver, a atenção, o espanto e as expectativas que isso implica.

Ao terminar esta fase da viagem, o sentimento é de mission accomplished – divetimo-nos à grande, temos imensas histórias para contar e uma memória mais rica. Mas as saudades começam a apertar e a vontade de chegar a casa, ver a família e os amigos, provar os sabores habituais e ver o tempo passar de forma mais calma começava a vencer-nos.

Para trás, mas ainda em mim, fica o que mais me marcou: os passeios de ferry em Banguecoque, a confusão divertida e as imagens de outros tempos em Hanoi, as caminhadas pelos arrozais e a paisagem de Sa Pa, o passeio de caiaque em Halong Bay, a primeira viagem de mota em Hue, o pôr do sol no rio do Perfume, o sentimento de perfeição na praia de Cau Dai, a loucura das compras em Hoi An, os templos de Ho Chi Minh City, as imagens do Mekong, o acordar num hotel flutuante, a tristeza e degradação social de Phnom Penh, os templos de Siem Reap, a amizade e história de vida do Plack, a diversidade, beleza e acidentes de percurso da viagem de barco até Battambang, o bamboo train, o passeio de mota nas margens do rio, o pôr do sol no regresso à Tailândia, as praias de Koh Tao, o snorkelling para além de todas as expectativas e as compras que conseguimos fazer no maior mercado do país e ainda, acima de tudo, as pessoas que fomos conhecendo e o desafio de sobrevivermos a 6 semanas intensas, num convívio sempre animado e bem sucedido.

Mas para os inquietos, a viagem começa agora – gerir todos os sentimentos, voltar à “realidade”, reaprender prazeres menos intensos, assumir novas responsabilidades, reviver tudo tentando não maçar os amigos com histórias intermináveis. Fazer novos planos, iniciar experiências diferentes e encaixar a dura verdade de que temos uma só vida. E será que estamos a vivê-la bem?


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