bolas de berlim na praia
Publicado: 28 de Agosto de 2010 Filed under: malásia | Tags: malásia, perhentian, pulau kecil Deixe um comentário »
O dia começara mal. O despertador que tocou demasiado cedo, quando o que mais queria era dormir. Uma longa caminhada com uma mochila demasiado pesada às costas. O pequeno-almoço que não tomámos por estar ainda tudo fechado. Demasiados turistas barulhentos, dos quais não revelo a nacionalidade por discrição e porque aprecio as pizas que cozinham. O autocarro não era o que esperámos e a viagem, em duas horas bastante desconfortáveis, afinal tinha sido feita no autocarro errado. Por sorte, o condutor da mini van em que deveríamos ter entrado apercebeu-se do nosso erro e seguiu-nos pacientemente até à última paragem.
Uma outra viagem, a grande velocidade, para não perder o autocarro seguinte. Uma espera para continuarmos viagem no mesmo. Duas horas muito, muito desconfortáveis, num carro com dimensões adequadas a asiáticos, porque chegamos com a cabeça ao tejadilho e mal cabemos no assento.
Almoço. Novo autocarro, desta vez com demasiadas pessoas, todas com demasiada bagagem. A velocidade alucinante não deixou dormir uns e provocou noutros uma imensa vontade de estar a dormir. Afinal, a correria era para apanharmos o último ferry.
O ferry atrasou-se meia hora. A caminhada para o embarcadouro foi penosa devido a três enganos e muito equilibrismo para não cair à água. A viagem de barco começou muito lenta, pois faltavam bilhetes e sobravam passageiros. Com reclamações, lá arrancámos a toda a velocidade. Velocidade era a palavra chave.
Chegados à ilha, novo barco – taxi até ao areal.
A água, transparente e turquesa, rodeada por colinas de floresta tropical, dava uma vontade imensa de ali ficar. Procurámos alojamento e lá fomos, já ao pôr do sol, experimentar a tepidez azul que nos iria acarinhar nos próximos dias. Paraíso? Só faltavam…*
*se querem mesmo, mesmo saber, leim o título!
a ilha misteriosa
Publicado: 28 de Agosto de 2010 Filed under: myanmar | Tags: birmânia, burma, myanmar, sudeste asiático Deixe um comentário »
No fim do areal de sete kilómetros, um templo construído na rocha, topo dourado a reflectir no espelho da maré baixa. Ao fundo, avistava-se distante uma ilha, Pokkala. Não ficava longe, apenas parecia deserta e selvagem. Inalcançável.
Chegámos à ilha, que pertencia em parte ao avô de Tum Wai. Conhecêramo-nos na véspera, quando me levou no seu moto taxi para a guesthouse do primo. No dia seguinte, esperou que eu acordasse porque queria mostrar-me a localidade. Chaung Tha. O seu plano: de manhã, um passeio breve por perto; à tarde, pretendia levar-me à ilha onde nascera. Com a suspeita tão europeia de que a oferta escondia algo, perguntei-lhe o preço. For free, disse o seu sorriso moreno e enrugado pelo sol. Desconfiei então que quisesse encaminhar-me para uma qualquer loja familiar.
Com a frase, tão maternal, no pensamento, Não se aceita boleia de estranhos, lá fui na sua mota até ao ferry, um barco com lugar para oito ou nove pessoas, que se chamava com um assobio. Pés na areia, começámos a percorrer o perímetro de Pokkala. A paisagem era a própria definição de perfeição – praias longas, entrecortadas por rochas baixas. Alguns habitantes pescavam, indiferentes a quem passava. Junto aos palmares, retirados de um postal de viagem, exibiam-se, exóticas, plantas que nunca tinha visto. No areal sucederam-se centenas de moluscos, de formas, cores e ritmos variados. A cada curva do areal, uma nova paisagem suplantava a anterior na sua beleza. A meio caminho, visitámos a localidade e a casa dos avós de Tum Wai. Uma assoalhada onde se dorme, cozinha e convive. Pediram desculpa por não ter comida para me oferecer e foram fazendo perguntas sobre o país daquela estranha.
Seguimos para a escola e depois para a pequena localidade, no centro da ilha. Os habitantes, em birmanês, iam perguntando quem era e de onde vinha.
No topo de uma colina, o templo. Construído pela família do meu guia, era guardado pelo seu primo, um monge que por ali passeava, sereno, fumando um seu cigarro verde, o tabaco artesanal de Myanmar.
Antes da partida, percorremos mais algumas praias, mangais e avistámos uma ilha-templo, ainda mais distante. Uma torre dourada sobressaía no horizonte.
Novamente no ferry,despedi-me de Pokkala e do dia exótico que vivi. Agradeci a Tum Wai, já na sua casa, na presença da sua mulher, que queria conhecer-me. Repetiu que gosta de mostrar aos estrangeiros o seu país, de que tanto se orgulha. Disse-lhe que Myanmar é um país lindo, mas ainda mais marcante do que as suas paisagens é a beleza que revelam as pessoas, na sua alegria partilhada com quem por ali aparece.
o senhor do templo
Publicado: 16 de Agosto de 2010 Filed under: myanmar | Tags: birmânia, myanmar, pynl-oo lwin, templo 2 Comments »
Saltava, numa longa escadaria branca, de espada na mão. Lutava como herói imaginário num cenário épico. Traje monástico, vermelho de reverência e amarelo torrado como a alegria solene que o seu sorriso infantil revelava. Regressaram-me à memória as imagens de O Último Imperador.
Pressentiu-nos, olhou em volta e a paisagem mostrou-lhe dois estranhos, de calças caqui e t-shirt, pasmados com a autencidade do que viam, quase como se tivesse sido encenado. Falou em birmanês, sem resposta além de um hesitante Mingalaba*. No seu olhar,apenas estranheza. Continuou a conversa, sem saber que não o compreendíamos. Brincámos com a espada, sem conseguir transmitir-lhe a imagem de guerreiro exótico que nos afluía à imaginação e deliciava o olhar. Na tentativa de o conquistar com a máquina fotográfica, capturei parte da perfeição do momento e mostrei-lhe o resultado – um sorriso intrigante, uma paisagem de templos perdidos entre um arvoredo alagado pela monção. O lugar, só alcançável pela vista, à distância, ou por uma ponte de passos incertos. No coração do mosteiro, que se desenhava como apenas mais um lugar sagrado, de uma longa lista de Pyn-On Lwin, a magia do passado ganhou vida nas nossas memórias.
Enquanto descíamos a escadaria, senhor daquele lugar quase imaginário, deixou-se ficar no topo, observando dois estranhos que se afastavam. Num gesto que nos transportou para a realidade, desceu degrau a degrau, sentou-se e deixou escapar o sorriso mágico.
*Olá!



